Neste momento estamos a assistir a um esforço, por parte de certas forças que sempre defenderam o lado da guerra, para responsabilizar os serviços secretos e a incompetência destes pela campanha dos EUA no Iraque.
Sem querer tirar incompetência aos serviços secretos, quero mostrar que este esforço não passa de mais uma manobra de desinformação. Levada a cabo pelos mesmo que levaram o público de vários países a apoiar a guerra. Ocultando factos, distorcendo realidades e eliminando do jogo quem era fraco.
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Em traços gerais a nova posição dos apoiantes da guerra defende que os políticos que a fizeram foram enganados pelos seus serviços de informação e que naturalmente com suporte nesse engano todas as suas acções foram legítimas. Estou a falar, é claro, das ilusórias armas de destruição massiça, que afinal não existem no iraque e que foram o argumento fundamental para justificar a guerra (apimentadas pelas afirmações do Tony Blair quando declarava que o Iraque podia preparar e lançar as suas armas de destruição massiça em apenas 45 minutos!).
A primeira interrogação que me surje, é obvia. Tendo acesso exactamente à mesma informação, porque é que os governos da maior parte dos países resolveram não apoiar esta guerra?
Para hostilizar os EUA? - Não creio.
Outro argumento utilizado, que pertende disfarçar as incoêrencias do primeiro, consiste na invocação do fantasma do 11 de Setembro. Assim, continuando o argumento, os EUA depois desse acontecimento traumático, decidiram rever todas as informações que tinham disponíveis sobre as várias ameaças e decidiram que o Iraque era uma ameaça demasiado perigosa para ser tolerada, daí a guerra.
Este argumento é tão fraco como o anterior. Existem vários outros países, tão instáveis como era, e é o Iraque, que têm todas as razões para tentar molestar os EUA. Estes países, ao contrário do Iraque, possuem de facto as armas de destruição massiça, dispõem dos recursos financeiros para suportar grupos terroristas e tudo indica que de facto o fazem.
Falo por exemplo do Paquistão, que é uma ameaça permanente à India (a maior democracia do mundo), tem armas nucleares, tem um presidente fraco que para se manter no poder vai cedendo terreno aos radicais islamicos. De um momento para o outro o Paquistão pode-se transformar numa república islamica.
Outro exemplo é a Arábia Saudita, que é um estado de governo medieval, fanático islamico, conhecido por apoiar grupos terroristas e a expanção do Islão nas suas piores cores por todo o mundo (Europa, zona do Cáspio, África). Um exercício interessante é verificar as nacionalidades dos terroristas do 11 de Setembro....
Porque não foram estes países ameaçados pelos EUA, como foi o Iraque, porque não se tentou uma mudança de regime nestes países? - Que representam ameaças REAIS aos EUA!
Falo apenas destes dois países, porque são países islamicos. Se
quisermos alargar a discussão, podemos falar da Coreia do Norte, da
China (que a última vez que verifiquei ainda não era uma democracia e, isso
sim, um pouco hostil aos EUA), etc, etc...
Para continuar a construir o cenário desta nova mentira, chega-se a referir os relatórios dos Inspectores da ONU. Neste ponto a hipócrisia chega ao máximo:
Dizem que os relatórios inspector referem, até, as quantidades de gases e venenos em posse dos Iraquianos para as quais não havia destino conhecido e confirmável. Sobre este aspecto há dois factos a realçar, primeiro, as quantidades são perfeitamente conhecidas, porque estas armas foram fornecidas pelos EUA e, segundo, são os próprios inspectores a dizer que essas armas não são ameaça, dado que os agentes biológicos e químicos são por sua própria natureza materiais instáveis e que mesmo com as instalações adequadas para a sua conservação, vão perdendo o seu poder letal com o passar do tempo. Dado que estamos a falar de agentes fornecidos nos anos 80, ainda segundo os inspectores, estes já não podem ter qualquer propriedade letal, não passando de uma mixórdia quimico-biológica sem qualquer valor militar.
Neste ponto o que cria revolta é saber perfeitamente que quem cita os inspectores sobre os seus relatórios, tem que fatalmente que saber que as armas citadas têm actualmente uma toxicidade equivalente à do lixo tóxico produzido todos os dias nas fábricas de todo o mundo.
Já que estamos a falar de inspectores da ONU, também vale a pena acrescentar que segundo estes, os programas de armas de destruição massiça no Iraque deixaram de existir depois da primeira guerra.
Devido à presença dos dispositivos de vigilância montados pela ONU durante os anos 90 no território do Iraque seria impossível ao regime vigente adquirir, desenvolver e passar à fase de produção um qualquer programa de produção de armas de destruição massiça:
Naturalmente que este assunto é mais vasto e tem outras implicações. Tentei apenas mostrar que os argumentos verdadeiros para a guerra não são os que foram apresentados e que a culpa dos EUA terem ido para a Guerra não é com certeza dos serviços de informação!